“O começo de todas as ciências é o espanto de as coisas serem o que são.”
(Aristóteles)

Passou-se o século XX, já se vai a primeira década do XXI, e cada vez mais clama-se por cidadania, ou melhor, para que as pessoas sejam cidadãs. Mas o que é cidadania? Mas antes de ir ao encontro de tal indagação é importante ressaltar que a cidadania é um dos pilares necessários para a existência de uma república (res publica), se lembrarmos da Grécia clássica, cidadãos eram apenas homens da elite, que tinham alguma posse para poder assim participar da ágora (espaço de discutição da coisa publica). 

            Fazendo um passeio por alguns séculos encontraremos a distinção entre súdito e cidadão, onde o primeiro não tem em si a capacidade de mudança. Pode até ser que faça uma luta para mudar algo da sua sociedade, no entanto isto não lhe é característico. O segundo tem intrinsecamente ligado a sua existência a capacidade de fazer mudanças na sua sociedade.

             Mas um dilema muito forte vai aparecer durante o processo histórico: “Um cidadão pode ser súdito, mas um súdito não pode ser cidadão”. Isto porque nas repúblicas modernas, baseadas na democracia, cada indivíduo pode escolher se quer ser um cidadão (aquele que tem capacidade de mudar lugar onde vive), participando das coisas públicas, mas não só na hora do voto. Ou se quer ser um súdito (aquele que vê tudo passar de qualquer jeito) sendo capacho da ordem vigente sem ao menos tentar mudar o cenário.

            Pois bem, por esse ponto de vista cidadania não é apenas preservar a natureza (as plantas, os animais, etc.), ajudar a “velhinha” passar para o outro lado da rua, servir às forças armadas dentre outra coisa, narradas pela indústria cultural. Destarte, a cidadania é participar da coisa pública (entenda-se participar da vida política da sua sociedade), como diria um poeta: o pior analfabeto é aquele que diz que não tem nada com a política, pois esquece ele que o preço do pãozinho, do cafezinho, da caninha, do aluguel, do combustível, enfim de todos os produto e serviços dependem indubitavelmente das decisões, que são tomadas muitas vezes na calada da noite, nos palácios executivos.  

            Portanto, o que quero dizer é que, segundo a lei, todos os indivíduos têm o direito de serem cidadãos – mas quantos de nós estamos dispostos a ser um? Pois, parece que queremos ser súditos, ou serem cidadãos apenas naqueles fatos supracitados, validando assim um pensamento de que o povo só serve para votar, e quanto mais pessoas participam, mais fácil será a degeneração da coisa pública. Não podemos deixar que idéias como essas vigorem. Pois, são perversas, enfraquecem a luta por uma sociedade mais justa, onde as relações sociais não sejam meras relações monetárias. E, como diria um grande homem: Uni-vos todos!!!

Denisson Silva – Viçosa-AL 29-03-2010